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Cesare Battisti: a história do italiano preso na Bolívia

Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti é um dos últimos protagonistas da violência dos anos 1970 no país.

Cesare Battisti, italiano condenado por quatro homicídios e que estava cerca de 40 anos foragido, voltou ao seu país nesta segunda-feira (14). Foram décadas de fuga quase permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália.

Ele foi preso no último sábado (12) na Bolívia, depois de ter escapado do Brasil. Em dezembro do ano passado, o governo de Michel Temer autorizou sua extradição, mas a Polícia Federal não conseguiu encontrá-lo para cumprir a decisão.

Condenação

Condenado à revelia (sem a presença do réu) à prisão perpétua na Itália, Battisti, de 64 anos, é acusado de ter cometido quatro assassinatos na Itália entre 1978 e 1979: contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

Na época, ele integrava a organização Proletários Armados Pelo Comunismo. Ele nega envolvimento nos assassinatos e se diz vítima de perseguição política.

Battisti passou pelo México, pela França e pelo Brasil, onde a Justiça rejeitou em um primeiro momento sua extradição para a Itália para depois autorizá-la.

A Itália quer punir um dos últimos protagonistas dos “anos de chumbo” de violência dos anos 1970.

Luta armada (1970)

Battisti, um poliglota de voz suave e conhecido por suas polêmicas, nasceu no sul de Roma em 18 de dezembro de 1954 em uma família comunista, mas também católica, como ele.

Após passar várias vezes pela prisão por crimes comuns, no final dos anos 1970 entrou para a luta armada dentro do grupo Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

“Tentar mudar a sociedade com as armas é uma estupidez, mas bom, naquela época todo mundo tinha pistolas”, declarou em 2011. “Havia guerrilheiros no mundo inteiro, a Itália vivia uma situação pré-revolucionária”, acrescentou.

Fuga e refúgio na França (1981 – 2004)

Após ser detido em Milão, Battisti foi preso em 1979 e fugiu em 1981. Em 1993, foi condenado à revelia à prisão perpétua por dois homicídios e por cumplicidade em outros dois, cometidos em 1978 e 1979, crimes dos quais diz ser inocente.

Depois de passar pelo México, encontrou refúgio na França entre 1990 e 2004, graças à proteção do ex-presidente socialista François Mitterrand, que se comprometeu a não extraditar nenhum militante de extrema esquerda que tivesse renunciado à luta armada.

Assim como uma centena de militantes italianos dos anos 1970, Battisti refez sua vida em Paris.

Trabalhou como vigia em um prédio e começou a escrever e publicar uma dezena de romances policiais com muitos elementos autobiográficos, que abordam temas como a redenção ou o exílio de ex-militantes extremistas.

Vinda ao Brasil e prisão (2004 – 2007)

Em 2004, o governo de Jacques Chirac decidiu pôr fim à “jurisprudência Mitterrand” e extraditá-lo.

Apesar do apoio de várias personalidades, como o romancista Fred Vargas e o filósofo Bernard-Henri Levy, a Justiça francesa recusou o recurso contra a extradição. Battisti, então, fugiu para o Brasil com uma identidade falsa, segundo ele, com ajuda dos serviços secretos franceses.

Depois de três anos vivendo na clandestinidade, em 2007 foi detido no Rio de Janeiro e ficou quatro anos na prisão, onde fez uma greve de fome porque dizia preferir morrer no Brasil a voltar para a Itália.

“Escrever para não me perder na névoa dos dias intermináveis, repetindo-me que não é verdade. Que não sou eu esse homem que os meios transformaram em monstro e reduziram ao silêncio das sombras”, diz em “Minha fuga sem fim”, livro escrito no cárcere.

Idas e vindas na Justiça brasileira (2009 – 2019)

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição, mas deixou a decisão final nas mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou rejeitando a extradição. Em represália, a Itália chamou a consultas seu embaixador em Brasília.

Em junho de 2011, Battisti foi libertado e conseguiu obter a residência permanente no Brasil. Instalou-se em Cananeia, litoral sul de São Paulo, onde continuou escrevendo e reconstruiu sua vida.

Pai de duas filhas adultas na França, Battisti conheceu uma jovem professora brasileira, com quem teve um filho, Raul, atualmente com cinco anos.

O nascimento do filho no país era um dos argumentos usados por sua defesa para impedir sua extradição, como ele próprio explicou à AFP em entrevista concedida em 2017 em sua casa em Cananeia, com o pequeno sentado ao seu lado.

Em 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti. No mesmo ano, ele se casou com outra brasileira, Joice Lima, em Cananeia.

Dois anos depois, foi detido em Corumbá (MS), na fronteira da Bolívia, suspeito de evasão de divisas, e foi mantido monitorado com tornozeleira eletrônica por quatro meses.

Em outubro passado, foi eleito o presidente Jair Bolsonaro, que prometeu extraditá-lo. Em dezembro, o ex-presidente Michel Temer autorizou sua extradição após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux determinar a prisão do italiano. Battisti voltou à clandestinidade e, neste sábado (12), foi preso em Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia.

Battisti foi entregue neste domingo (13) por autoridades bolivianas a agentes italianos em Santa Cruz, de onde partiu rumo à Itália em um avião especial.

Fonte:G1.GLOBO

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