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Paula Santisteban é ‘zero intérprete’ no último disco produzido por Carlos Eduardo Miranda

No texto de apresentação do primeiro álbum de Paula Santisteban, o último disco produzido por Carlos Eduardo Miranda (1962 – 2018), a cantora e compositora paulistana afirma que a maior participação de Miranda foi na “construção da voz” da artista no estúdio.

“Ele simplesmente me fez olhar para minha voz verdadeira, sem truques, sem maquiagem. Foi reduzindo tudo o que não fosse a minha voz de verdade. Isso fez com que ela ficasse muito contida: era o que eu não cantava, e não o que eu cantava, que trazia a emoção nas canções. A entrega das palavras e a expressão, e não a interpretação. Fui zero intérprete”, conceitua a artista.

A julgar pelo relato da artista, Carlos Eduardo Miranda – produtor musical de grandes serviços prestados à música brasileira, tendo lançado as bandas Raimundos e Mundo Livre S/A no mercado fonográfico, entre outros feitos da áurea década de 1990 – falhou na condução do último disco que produziu e que, por ter saído em cena em março do ano passado, não teve tempo de ver concluído.

Lançado em CD neste mês de março de 2019, seis meses após a edição digital apresentada em setembro de 2018 via Warner Music, o álbum Paula Santisteban peca justamente pela canto opaco da intérprete.

Capa do álbum 'Paula Santisteban', lançado em CD seis meses após a edição digital — Foto: Bob Wolfenson

Capa do álbum ‘Paula Santisteban’, lançado em CD seis meses após a edição digital — Foto: Bob Wolfenson

Ao pôr a afinada voz nas dez canções que formam o repertório do disco, em microfone valvulado de 1952, Paula Santisteban manteve a mesma amena temperatura na interpretação das dez músicas, diluindo qualquer possível traço de emoção.

A cantora foi de fato “zero intérprete”, esvaziando o potencial de baladas como As janelas da cidade e Do outro lado da rua, parcerias de Paula com o guitarrista Eduardo Bologna, diretor musical do disco. Do outro lado da rua, a propósito, embute um clima de Jovem Guarda que poderia ter sido mais evidenciado se cantora tivesse sido mais intérprete ou se tivesse arriscado um canto mais pop.

De todo modo, justiça seja feita: o processo de “construção” da voz – que parece ter sido mais de desconstrução, aliás – se afina com a elegante direção musical de Bologna. Os tons geralmente pastéis do toque da orquestra – cujas cordas, metais e madeiras foram arranjadas e regidas por Ed Cortes – estão em fina sintonia com o tom cool do álbum Paula Santisteban.

Tudo parece ter sido orquestrado para amenizar o calor de repertório que inclui regravação de música do trio O Terno, Eu vou ter saudades(Tim Bernardes, 2014), entre temas autorais como Lembra e Filho fly, duas outras parcerias de Santisteban com Bologna.

Como a própria artista enfatiza ao apresentar o disco, Paula Santisteban é álbum demasiadamente calmo. Um pouco mais de ardor na voz – ou de expressividade no canto da autoproclamada “zero intérprete” – talvez contribuísse para que o disco soasse mais marcante para o ouvinte.

Fonte: G1.Globo

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